quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entrelinhas.


 A cada dia a que sobrevivo aumenta a minha certeza que irei ficar só durantes os meus últimos dias, apenas preço a Deus que eu não seja a velha dos gatos, mas, quem sabe, as dos cachorros. São nesses momentos de solidão, inexistente, que percebo que amor não nasceu pra viver ao meu lado, talvez a senhora orgia tenha nascido pra isso, mas o amor, não. E nem adianta eu tentar ser romântica ou fazer cara de santa, minha cara de cachorra e o meu corpo de safada não negam a minha origem. Se um dia eu realmente tiver coragem e for embora, te peço que chores de saúdes e que sofra pelo meu amor, pois só assim acreditarei fielmente que posso te ter a todo o momento. Pois, no entanto a penas sofro e desfaço, desfaço com uma vodka barata e com um cigarro que desfaça o cheiro podre que sai de entro da minha alma. Com o meu sorriso amarelo eu me apresentando e mostrando ser aquilo que não sou. Quem sabe um dia e sofra por ter feito tudo aquilo que quero ou quem sabe eu me arrependa por não ter feito aquilo que queria. 
  

2 comentários:

  1. muito pouco é certo, menos ainda é certo pra sempre. eu não sei dos teus últimos dias, mas sei dos meus, e é com você que eu pretendo terminá-los; ainda que eu só consiga te encontrar em memórias e te sinta na dor de algumas lágrimas, como já é costume.
    meus amores eu conto nos dedos de uma única mão, das orgias eu pouco lembro, e das que consigo lembrar, muito poucas importam. do resto, eu sei menos ainda. portanto, só você sabe da companhia que melhor lhe cabe.
    mas não diga ou pense que não há nenhuma.
    ninguém se resume à caras e corpos. o rosto, assim como o corpo, muda. aquilo que não muda é o que importa: o sorriso que não se dá com os lábios, as lágrimas que não escorrem pelos olhos, o bem ou mal estar que não se expressa no rosto ou o cheiro que não sai no banho, que não é do teu perfume e sim da tua pele. é isso o que nada pode mudar, é isso o que ficou em mim.
    se um dia você criar coragem de ir, vá. mas eu não sei quanto a mim. chorar de saudades e sofrer por amor é certo, quanto à como lidar, eu não sei. não sei se te deixo ir, ou se te sigo calada. te assistir de longe já não me parece tão ruim. pior seria não participar de ti.
    uma mão pra segurar a tua ou duas mãos pra te segurar, sorrisos pra demonstrar amor e lágrimas pra demonstrar realmente amar, pra te seguir calada ou pra te acompanhar. com a mesma vodka barata eu te escondo o que não é importante saber, porque não importa o quanto eu diga ou demonstre, é uma questão de tempo pra você crer.
    que demore o tempo que for, o tempo que a vida me deixar ficar, mas se eu não ficar por tempo o bastante, lembra de tudo o que eu disse e tentei mostrar.
    quem sabe um dia eu sofra por não ter te prendido ao lado e te pedido pra ficar, mas eu prefiro que você volte se quiser, que escolha onde, como e com quem ficar. quanto ao arrependimento, eu não tenho do que me arrepender. eu lutei com o que podia lutar, disse o que podia ser dito e te amei do jeito mais sincero que eu podia amar.
    te acompanhando ou te seguindo, é só olhar pro lado ou pra trás.

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